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Tendência - Tropicália

movimento2.jpgUsamos o gancho do lançamento do novo site da Tropicália, que comemora 40 anos de existência neste ano, para contar sobre a moda deste movimento que sucedeu a Bossa Nova no Brasil. Nele, muita cor, psicodelia e uma variedade de referências que formou o figurino dos jovens do final dos anos 60. A Tropicália, uma espécie de coletivo cultural que se fez pela música, surgiu da união de nomes como os de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, da banda Mutantes e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão, que ajudou a formar a Bossa Nova anos antes, e os letristas José Carlos Capinan também estavam lá.

foto divulgaçãoA música dessa turma, que foi denominada Tropicália pela imprensa da época, traz uma mistura de elementos: a sonoridade regional, o rock americano e inglês e a música produzida em toda a América Latina etc. Em resumo: um caldeirão de informações auditivas e visuais, com letras que usaram também muito da poesia concreta para criar uma sonoridade ímpar, uma obra de arte falada.

Claro que o figurino desse movimento também tinha de seguir a idéia da antropofagia – algo como digerir todas as informações que chegam até nós, inclusive digerir a nós mesmos, para “vomitar” uma nova arte. Para começar, estamos falando dos anos 60, da revolução cultural forçada pelos americanos. Os elementos do rock, como os ternos e calças justos, sapatos e gravatas de bico fino, já estavam lá. Era difícil escapar dos elementos do visual mood – um exemplo típico: o uniforme dos Beatles.

foto divulgaçãoMas por aqui a liberdade foi além, algo como celebrar a insanidade. Tom Zé e suas experimentações são exemplos clássicos. Bancar o doido varrido era uma maneira de provocar a censura da época. Inserido a isso, elementos do vestuário oriental, como batas e kaftas. Um exemplo inesquecível é a capa do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”. Até um penico está em cena!

O lado mais rock do movimento, os Mutantes da paulista Rita Lee, era ligado na moda dos ingleses e americanos. Calça jeans e de sarja, tênis, uniformes inspirados na guarda britânica, cocares de índios americanos, moletons indie, calças hippies bem boca-de-sino, coturnos, coletes etc etc etc.

foto divulgaçãoPor parte de Caetano, Gal e Bethânia, o bacana era ser mais doidão: oriental, colorido ou psicodélico. Os cabelos foram a marca registrada deles, tanto que os militares faziam questão de cortar a juba de todos os jovens que eram presos na época. Se pensarmos em evolução, se hoje nós temos tantas cantoras com seus cabelos rebeldes é porque um dia esses músicos lançaram a moda. Temos de pensar também que se tratava do final dos anos 60. O movimento hippie explodia nos Estados Unidos e a ordem era ser livre de amarras como pentes, barbeadores e tesouras. Voltar-se para a natureza era isso aí: deixar de lado os signos da vida moderna e da cidade grande. Já por parte dos mais roqueiros, os cabelos eram inspirados nos Beatles: tigelinha ou, como foi chamado depois, britpop.

Não podemos esquecer também da moda futurista que naquela época fazia muito sucesso. Estilistas como Paco Rabanne lançaram tendências que vieram parar no Brasil, claro. As estampas cinéticas – que confundem a vista, criando ilusões na nossa mente – também eram fortes entre os artistas. Assim como as estampas geométricas e o uso de plástico e metais - principalmente medalhas, colocadas nas roupas formando uma escultura.

O regional pode ser simplificado pelas batas, kaftas e pelos vestidões. E o uso de tricôs e rendas. Anos depois, uma estilista faria muito sucesso apostando na moda politizada. Zuzu Angel, que perdeu um filho para a Ditadura em 1976, passou a criar vestidos com imagens de canhões, pombas da paz e outros elementos de protesto bordados. Imagens que ganharam o mundo na época pelo poder de contestação.

E o que a gente pode tirar da Tropicália hoje? Em dias mais caretas no que diz respeito a se vestir, talvez a melhor idéia é a de que o brasileiro é muito criativo e não precisa ficar preso às tendências dos americanos e europeus. Mas também o movimento nos mostra que somos melhores quando absorvemos tudo e de todas as culturas, tirando o melhor delas para criar algo novo. Brasileiro, talvez!

Tropicália: http://www.tropicalia.com.br/site/internas/fotos.php

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