A entrevista com Jussara Romão, que durante muitos anos foi editora de moda da revista “Elle” - e que hoje é dona de uma marca de jóias que leva seu próprio nome -, era sobre tendência. Mas, no decorrer no bate-papo, o que a gente descobriu é que, mais certo que tentar prever o que vai ser moda daqui pra frente, é discutir a “não-tendência”. Quer entender melhor esse conceito?
MPM - Qual é a tendência hoje?
Jussara Romão – “Na verdade, hoje em dia, tendência é uma palavra em desuso. Essa idéia de propostas muito definidas, como ‘agora é isso… agora é isso… agora é isso…’ não determina mais nada. Os estilistas do mundo todo, inclusive do Brasil, estão percebendo que, cada vez mais, o importante é seguir suas próprias vontades e não se prender aos movimentos pré-estabelecidos. O que vale mais, hoje em dia, é apostar em seus próprios desejos, mas sem ignorar a vontade do consumidor.”
MPM – E a mídia, como vem respondendo a isso?
JR – “A própria mídia, que sempre exigiu que estilo ‘é tal coisa’, está sendo mais liberal no sentido de entender as marcas. O caminho seguido à risca, sem questionar, é coisa de coronel. Os próprios livros de etiqueta e moda precisam rever isso…”
MPM – Então, o que seria a tendência hoje?
JR – “Acredito que é sempre o jovem que determina as grandes mudanças na moda, com suas misturas arrojadas, a idéia de vestir tribos. E, hoje em dia, tribo é o que não falta. Um exemplo dessa mídia que entendeu o novo jeito de ver a moda é a revista inglesa ‘i-D’, que carimbou a idéia do ‘seja você mesmo’. A própria ‘Vogue’ América, com toda sua força, foi obrigada a aderir a esse conceito. O que vemos agora é moda para roqueiros, clubbers, patricinhas, mulheres mais classudas etc etc…”
MPM – E onde ficam as mudanças de estilo nisso tudo?
JR – “Acredito que, em resumo, nas cores e nas formas.”
MPM – E qual sua dica para quem quer estar na moda?
JR – “Primeiramente, se olhar no espelho. Olhar também o que os outros estão vestindo. É parar para perceber seu corpo, suas qualidades e defeitos. Se defina, assuma seus altos e baixos e, à partir daí, comece a criar um estilo só seu. Ninguém quer se vestir para ficar feio. Por isso, algumas regras são fundamentais.”
MPM – E quais seriam essas regras?
JR – São muitas. Por exemplo, mulheres baixas ou mais gordinhas não podem abusar das cores e estampas. Legging fica melhor em mulheres altas, porque coloca toda a atenção nas pernas. E por aí vai… O importante é entender que formas e cores podem atrapalhar ou ajudar na hora de ficar mais bonita e sensual. Só o espelho de casa e um pouco de auto-crítica ajudam.”
MPM – Para quem as mulheres se vestem?
JR – “Vestir tem muito a ver com status social. Por isso, é inocência acreditar que a mulher se vista só para ela.”
MPM – E qual a importância do sexo na hora de vestir?
JR – Isso depende muito do país. Na Europa, a preocupação da mulher é outra. No Brasil, por ser um país latino, as mulheres são mais propensas a se vestir para atrair olhares. O que é muito natural. Volto a repetir: essa é a alma da brasileira!”
MPM – Aproveitando que você mudou de profissão e agora aposta na criação de jóias e bijuterias, a pergunta é: como usar esses acessórios sem errar?
JR – “A dica básica é fixar um ponto de seu corpo pro acessório. Por exemplo: um grande decote já fala muito no visual. Então, a jóia deve ser focada em outra região. Senão, corre o risco da mulher ficar parecendo a Viúva Porcina. Outro exemplo: se o sapato for cheio de brilho, use roupas mais simples. Pecar pelo excesso é a pior coisa para quem quer se vestir - e estar - bem.”
Para saber mais sobre o trabalho de Jussara Romão, acesse:
http://www.jussararomao.com.br/

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